Neste Dia Mundial da Água, salve o Rio Paraguai

por imprensa — publicado 22/03/2018 12h20, última modificação 22/03/2018 12h54

Nosso maior patrimônio é uma imensidão de água. Em poucos lugares a interação entre água e vida se faz tão presente como em nossa querida Cáceres. O privilégio de ser banhado pelo exuberante Rio Paraguai é para poucos, e bom seria se fosse para muitos. Nossa história é feita de rios, lagos e baías. aqui em Cáceres, em nosso Pantanal, água é sinônimo de vida. Cuidemos do que é nosso e de todos!

 

Em uma data tão importante, e em um lugar tão especial, só as palavras de um “Bugre” da terra, cacerense de nascença, alma e coração, apaixonado pelo Pantanal e pelo Rio Paraguai, podem descrever essa efervescência de vidas que rodeia a nossa Cáceres e abrilhanta nossos olhos. Com a palavra,o saudoso Rinaldo Ortega:

 

“Meu Rio Paraguai

 

Verdes campos pantanal da minha terra,

onde a vida selvagem explode em cores...

Lá nas matas a passarada em mil rumores,

acalenta o bugre que não teme a fera.

Grandes lagos, rios e baías dão vida ao pantanal...

Paraíso da lontra, tapir, do tuiuiu,  do jacaré...

E sobre o verde-rosa do betume do aguapé,

A garça branca faz seu pouso magistral !..

E o rio Paraguai, preguiçoso em seu remanso,

Vai levando o velho canoeiro, alma sem jaça,

Que após um dia de trabalho, esperança e graça,

Retorna ao ribeirinho lar em busca do descanso.

Nas noites tropicais de brisas quentes

Lá de longe, da coruja,  ouve-se os pios...

Da onça o urro que com o fragor dos rios

Mistura-se ao som lúgubre do silvo das serpentes...

E quando a lua nasce no esplendor do espaço,

Fica cor de prata toda uma imensidão

E o pantaneiro, enamorado, pleno de emoção,

Lança ao vento, da guarânia, o seu compasso!

Ao amanhecer, por detrás das matas,

Rompe o silêncio, o piado do mutum

E as andorinhas num tremendo zum-zum-zum

Procuram os bosques, os montes, rios e cascatas!

Quando o sol esquenta no céu azulado.

Surgem as borboletas de variadas cores,

Saltitantes nos campos beijando as flores,

Descortinando aos olhos um reino encantado!..

Ao entardecer, da Anhuma ouve-se o canto...

No Pantanal a natureza parece eternamente em festa!”

Rinaldo Ortega