Neste Dia Mundial da Água, salve o Rio Paraguai
Nosso maior patrimônio é uma imensidão de água. Em poucos lugares a interação entre água e vida se faz tão presente como em nossa querida Cáceres. O privilégio de ser banhado pelo exuberante Rio Paraguai é para poucos, e bom seria se fosse para muitos. Nossa história é feita de rios, lagos e baías. aqui em Cáceres, em nosso Pantanal, água é sinônimo de vida. Cuidemos do que é nosso e de todos!
Em uma data tão importante, e em um lugar tão especial, só as palavras de um “Bugre” da terra, cacerense de nascença, alma e coração, apaixonado pelo Pantanal e pelo Rio Paraguai, podem descrever essa efervescência de vidas que rodeia a nossa Cáceres e abrilhanta nossos olhos. Com a palavra,o saudoso Rinaldo Ortega:
“Meu Rio Paraguai
Verdes campos pantanal da minha terra,
onde a vida selvagem explode em cores...
Lá nas matas a passarada em mil rumores,
acalenta o bugre que não teme a fera.
Grandes lagos, rios e baías dão vida ao pantanal...
Paraíso da lontra, tapir, do tuiuiu, do jacaré...
E sobre o verde-rosa do betume do aguapé,
A garça branca faz seu pouso magistral !..
E o rio Paraguai, preguiçoso em seu remanso,
Vai levando o velho canoeiro, alma sem jaça,
Que após um dia de trabalho, esperança e graça,
Retorna ao ribeirinho lar em busca do descanso.
Nas noites tropicais de brisas quentes
Lá de longe, da coruja, ouve-se os pios...
Da onça o urro que com o fragor dos rios
Mistura-se ao som lúgubre do silvo das serpentes...
E quando a lua nasce no esplendor do espaço,
Fica cor de prata toda uma imensidão
E o pantaneiro, enamorado, pleno de emoção,
Lança ao vento, da guarânia, o seu compasso!
Ao amanhecer, por detrás das matas,
Rompe o silêncio, o piado do mutum
E as andorinhas num tremendo zum-zum-zum
Procuram os bosques, os montes, rios e cascatas!
Quando o sol esquenta no céu azulado.
Surgem as borboletas de variadas cores,
Saltitantes nos campos beijando as flores,
Descortinando aos olhos um reino encantado!..
Ao entardecer, da Anhuma ouve-se o canto...
No Pantanal a natureza parece eternamente em festa!”
Rinaldo Ortega